Friday, July 22, 2005

Já estou de volta, infelizmente, tenho responsabilidades virtuais e profissionais além de tudo. Obrigada pelos scraps no meu orkut, e pelas mensagens por email que recebi. Prometo responder tudo, aos poucos. Novidades? Sim, muitas... logo logo aparecerão! Desculpem-me pela demora em adicionar todos que me acharam nessa parada que eu dei... também tenho saudades de todos. Hasta pronto, chicos y chicas!

Depila!:

Thursday, May 26, 2005

MEU ÚLTIMO POST

Por quê o último? Pois é, é isso mesmo que vocês estão pensando. Vou me ausentar da internet por alguns meses, faz parte do meu tratamento.
Mas, meus telefones continuam os mesmos e minha casa também. Esse instituto de beleza vai parar por enquanto, mas prometo voltar um dia.
Deixem comentários, e desculpem-me pelo post gigante que vocês serão obrigados a ler agora.

Até mais, Regina Sato
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A CIRURGIA - TROCA DE SEXO
Acabei de voltar de Milão, tirei meus peitos, e implantei um de 20 cm no meio das pernas! Tenho até bigode!
Piadinhas a parte, é estranha a sensação de ter uma pecinha de televisão no meio das costas. É mais esquisito ainda ter titâneo no meio dessa pecinha. Mas a dor passou, não ando mais curvada, não corro mais o risco de ficar paralítica, e ninguém mais vai me chamar de Terry Schiavo! Meu nervo central está 80% estabilizado, e a prótese se encaixa lentamente na minha coluna. Enfim, 20 dias depois de todo o pânico, 2 consultas médicas semanais e muito - eu disse muito - medicamento, minha recuperação é excelente. O ponto baixo disso tudo é que a morfina, a codeína, a cortizona e o diazepan acabam comigo, pelo menos os dois primeiros já não fazem mais parte do menu, mas meu corpo se viciou neles e, parar de tomá-los é como se limpar de heroína. É horrível, mas sou mais forte que isso, com certeza!
A cortizona retém líquido, o que significa muitos quilos a mais. Bem, assumo que comer é um dos poucos prazeres que tenho, e toda a paparicação que a minha mãe, a minha prima e o Alê (my sweet roomy) me dão o direito de receber mimos de quem está "doente". Em 10 dias inicio minha dieta.
Ah! Pra quem ainda não sabe, dia 04 de maio eu tirei uma hérnia lombar, ainda tenho que tratar outras duas que me sobraram, e levei 32 pontos - meu cofrinho agora é gigante e pavoroso!
Vou estar liberada pra algumas poucas atividades físicas no dia 04 de junho, exatamente quanto comemoro meu 28º aniversário. Vou celebrá-lo dando minha primeira volta a pé no quarteirão.
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O QUÊ? CADÊ A COCA LIGHT?
Acreditem ou não, não bebo mais refrifgerante, e ponto final. Substituí por 3 litros e meio de água por dia. Pois é, adorei a substituição e tô fazendo a maior campanha pra todo mundo tentar. Já me inscrevi no grupo anti-tabagista do hospital onde operei, e vou tentar parar de fumar. Já me matriculei na academia do lado de casa e começo a hidroginástica em 15 dias. Como frutas o tempo todo e ando viciada em chás, sopas e queijos. Durmo cedo, acordo cedo. Releio Angústia de Graciliano Ramos, e faço terapia. Minha doença é 60% psicossomática, e afetou meu sistema reprodutor. Só com terapia mesmo!
Nossa! A Regina agora é uma chata-natureba-neurótica. NÃO MESMO CARALHO!
Estou apenas melhorando minha qualidade de vida. NUNCA vou me internar numa academia pra ficar com o abdômen sarado, isso é patético e pra mim, coisa de quem não tem mais o que fazer da vida. NUNCA vou virar vegetariana, e muito menos deixar de chorar minhas mágoas dentro de uma panela de brigadeiro. Quero somente ter um corpo mais saudável. Mente sana en corpore sano. (Mas que eu ando com saudades do Dog do Bigode, ahh, isso eu ando!)
Já não me estresso com mais nada. Enquanto tiver alguém aqui do meu lado, cuidado de mim, me dando banho, eu tô feliz. É bom saber que tenho sempre alguém me ajudando. É só isso que me importa. Agradeço todos os dias por ter uma família como a minha, o que inclui alguns poucos amigos.
O valor que dou pra essas pequenas coisas hoje em dia é impressionante e inacreditável.
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DOES EVERYBORY STILL COME TO HOLLYWOOD?
NO, OF COURSE NOT!
Engraçado como tudo muda quando decidimos mudar a rotina e alguns hábitos. Todo mundo some, ninguém aparece, ninguém liga. Bom, totalmente previsível. Algumas poucas pessoas vieram me ver, saber de mim, mas muita gente que adorava minha casa, nem se lembra mais do meu endereço. Se eu me sinto injustiçada? Claro que não. Eu vivo em Dogville, se esqueceram?
Porém fui presenteada com um hóspede de muito longe, que me preencheu de formas inusitadas. Um amigo que eu nunca imaginei que fosse me ajudar tanto, num momento tão difícil. É bom saber que, por mais que eu viva em Dogville, a amizade, a troca, o amor, e até mesmo a fé, ainda existem dentro de mim.
Confesso que esse momento me deixou franca e direta. Por vezes, até grossa. Mas, porra! Chega de chorar escondida e nunca falar o que estou realmente sentindo. Hoje não tenho mais medo de falar nada. - Coisas da terapia, não se assustem, eu ainda não mordo!
Se eu sinto falta da minha vida social? Claro que sim. Sinto falta de tudo, da noite, do centro, das loucuras, das mentiras que eu sempre fingi acreditar, das pessoas em geral (menos da Michael Love). Mas não quero sair por um bom tempo (só mesmo se for pra trabalhar).
Eu preciso guardar dinheiro, preciso estudar. E a noite me suga tudo. Escolhas são perdas, não?
O que mais me magoa é ver as pessoas se concentrando pra sair, fazendo as correrias necessárias, comentando e planejando as baladinhas. Isso dói de verdade em mim. Saber que eu tô deitada numa cama assistindo tudo isso na minha frente. Não que eu queira que todo mundo fique em casa ao meu lado, só acho desnecessário vir até minha casa me mostrar isso. Já aconteceram algumas vezes, e chorei muito. Mas, isso é problema de quem? MEU, somente meu. Ninguém tem nada a ver com isso. Eu só não queria ver.
Pra evitar sofrimento, o conselho numero 1 dado pelo meu terapeuta foi: feche os olhos pra tudo isso.
Voltei pra casa e joguei no lixo todas as minhas plumas, perucas, botas, meias rastão, e tudo mais que estava exposto na minha cara.
Enfim, o conselho numero 2 foi, viajar. Decidi viajar em Julho, passar 2 semanas beeeeem longe daqui. Mas prefiro manter o local em segredo. Preciso voltar a existir.
Lembro-me sempre dessa frase: A DOR É INEVITÁVEL, O SENTIMENTO É OPCIONAL.
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THE BOOK IS NOT ON THE TABLE ANYMORE
Pela primeira vez na minha vida, estou desempregada, fudida, sem grana pra nada. Minha família me ajuda muito financeiramente, e regularmente recebo alguns dólares pra me ajudar a passar esse momento tão delicado.
Mesmo assim, é difícil não estar trabalhando. Eu sei que não é por incompetência, falta de qualificação, currículo mentiroso, ou falta de sorte. Estou sem trabalhar para me recuperar de uma cirurgia.
Mesmo assim, é FODA!
Sinto falta dos meus alunos, da correria, das risadas, do chão chão chão. Choro todas as vezes que me lembro deles, ou quando acho alguma cartinha com palavras de carinho. Não sei ainda o que vou fazer no semestre que vem. Só sei que quero trabalhar muito, como nunca trabalhei em toda minha vida.
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MISTER BREST
Meu querido, quantas coisas eu preciso te contar.... a saudade, a falta, as lembranças. Tudo isso faz sim, parte da minha vida. Hoje, com menos intensidade, porém dentro de mim ainda tem aquele sentimento de carinho, respeito e admiração que sempre nos uniu.
Ainda tropeço nas suas coisas que ficaram em casa, nos filmes, nos cds, nas roupas, em tudo que fez parte da nossa história. Se eu sofro? Um pouco, claro. Mas hoje sou uma mulher tranquila e muito feliz, que foi obrigada a amadurecer diante de um problema real. Hoje, sinto uma gratidão enorme por tudo o que você trouxe pra minha vida. Todo o conhecimento, as informações, o cinema de arte, a cultura geral, nossas risadas, e até mesmo nossas lágrimas. Evoluí, transvalorei, transgredi, experimentei, aprendi. Sou sim uma pessoa melhor depois que te conheci.
Tenha certeza de tudo o que sinto por você, pois eu tenho certeza de tudo o que você sente por mim.
Sejamos gratos por termos tido um ao outro, no momento de nossas vidas em que mais precisávamos.
Quando você se refere às minhas aflições quanto ao relacionamento incompleto que vivemos, você não está errado. Faltou alguma coisa sim, por isso, o fim foi necessário. Mas hoje entendo que nenhum relacionamento é completo, que sempre vai faltar alguma coisa, independente da proposta. A nós, sobrou respeito, admiração e cumplicidade. E isso é um privilégio.
Obrigada meu querido, pelo ano e meio que passamos juntos, por ter me amado da SUA maneira. Desejo sim, do fundo do coração, muita sorte nesse novo apê que você vai morar, que você encontre a paz que precisa, e alguém que te complete com aquilo que eu não consegui. Você merece. Amo você, pra sempre.

Depila!:

Sunday, May 08, 2005

Calada Sombria Dormindo Desentendida Triste Solitária Sonhando Taciturna Subentendida Dopada Careta Clean Esperando Chorando Sorrindo Dormindo Gritando Comendo Dormindo Idealizando Projetando Amando Sentindo Assistindo Ouvindo Dormindo Dormindo Dormindo...

VIVENDO NOVAMENTE

Depila!:

Monday, April 25, 2005

"Para celebrar tudo de novo que é a minha vida, para chorar tudo o que se passou, para receber tudo e todos que já tinham passado e estão voltando. Para mim, pro meu corpo febril, contudo cheio de esperança. Para mim, egoisticamente."

Algo aconteceu. Ainda está acontecendo,
Me retém. Foi verdade à noite e é verdade agora.
Quem foi quem?
Estive dentro dela e ela esteve em volta de mim.
Quem jamais poderia dizer que estava junto com outro ser?
Estou junto...
Não uma criança mortal foi concebida...
Mas um quadro imortal.
Aprendi o sentido da surpresa esta noite.
Veio para me levar para casa e encontrei um lar.
Aconteceu uma vez...
Uma só vez, portanto para sempre.
A imagem que criamos estará comigo quando morrer.
Terei vivido dentro dela.
Primeiro nossa surpresa.
Surpresa de homem e mulher,
fez de mim um ser humano.
Eu.... Sei... Agora...
O que...
Nenhum Anjo...
Sabe....

Nada melhor que a busca, acompanhada de Fernando Pessoa, Win Wenders e um bom anti-inflamatório.

Depila!:

Wednesday, April 20, 2005

CODEÍNA / MORFINA

Esse é o nome da minha nova companhia. Ingrata por diversas vezes, mas necessária.
Ao todo são 60 mg por dia, variando entre 90 e 120 mgs, dependendo da dor.
É uma dúvida cruel, a cada duas horas tenho que optar entre: "ler-pensar-escrever-conversar-ver um filme-concentrar" COM dor, ou não fazer nada disso e não sentir dor. A codeína me traz reações adversas cruéis. Perco quase 50% da minha visão, deixando tudo meio nublado na minha frente, o que não me deixa ler, nem ver filmes com legendas... Náuseas, vômitos, fraqueza, febre, desmaios fazem parte do meu dia, e muitas vezes da minha noite. Quando o remédio reage bem, eu durmo. Por três horas, se tiver muita sorte.

É isso.

Vou abrir uma comunidade no ridículo, viciante e maldito Orkut:
Eu odeio, mas tomo codeína.

Depila!:

Monday, April 11, 2005

Eu quero a minha vida de volta.

Foram essas palavras, incansavelmente repetidas que me fizeram adormecer a noite passada. Entendo que ando mal humorada, grossa, mal educada, quieta, sumida, escondida, sem vontade de fazer nada, a não ser reunir duas ou três pessoas em casa e conversar sobre as mesmas coisas de sempre, fazendo as mesmas coisas de sempre.

Eu quero a minha vida de volta.

Quero ir à padaria, ao boteco, ao supermercado, à casa de amigos, ao trabalho. Não me movimento mais sozinha, não me transporto pra nenhum lugar sozinha. Tenho que beber no mínimo quatro litros de água por dia, e faço uma dieta a base de vento. Preciso perder peso urgentemente. Preciso tomar morfina uma vez ao dia (o que acaba sendo divertido), e nunca mais comi carne negra.

Eu quero a minha vida de volta.

Não quero pedir desculpas por nada do que ando fazendo ou falando. Quero pedir paciência. Só isso. Estou com um problema sério, como já disse à muitas pessoas. E não sei lidar com isso.
É óbvio que sinto saudades de tudo, é óbvio. Mas, agora, não tenho nada a oferecer à ninguém. Apenas uma cara fechada, respostas monossilábicas e algumas reclamações de dor.

Eu quero a minha vida de volta.

Amo as mesmas pessoas, as mesmas coisas e as mesmas músicas. Quero muito o mesmo beijo, o mesmo abraço, o mesmo carinho. Mas estou fraca.

Eu quero a Regina de volta. Só isso. E estou lutando muito pra que isso aconteça.

Depila!:

Sunday, March 20, 2005

Poema desconsolado

Em meio aos papéis picados
Que a chuva quis levar
Mas deixou,
Fico eu, faltoso de uma festa
A que não fui,
Saudoso de quem jamais me viu
Ou, mesmo se vir, não virá;
Fico eu, contemplando igrejas vazias
E enfileirando promessas ditas sem palavras
Ou vontade, apenas porque agradam a quem as faz
E quem as ouve;
Fico eu, no desconsolo de um domingo à tarde,
Arrastando os pés e os móveis teimosos,
No lodo que a alegria me legou;
Aos tropeços, pernas e braços partidos,
A trilha para sempre perdida,
Um bibelô rachado.

Poema escrito por Ricardo Miyake, que eu tive o privilégio de ler nesse momento tão único da minha vida...

Depila!:

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